quarta-feira, 9 de março de 2011

A IMPORTÂNCIA DA POUPANÇA NUMA ECONOMIA

A poupança é definida como a parte do rendimento disponível que não é gasta em consumo imediato.
A poupança constitui, assim, uma variável económica que depende do nível de rendimentos e do nível de despesas de consumo.

Poupança = Rendimento - Consumo

Sendo o rendimento um dos factores que mais influencia o consumo, podemos concluir que, em última análise, é também o rendimento que determina a poupança, a qual cresce com o aumento dos rendimentos auferidos pelas famílias.
Por outro lado, podemos afirmar que a decisão entre consumo e poupança é uma decisão entre consumo no presente e consumo no futuro.
De facto, a poupança realizada pelas famílias pode ser motivada por uma necessidade de segurança futura, mas também pelo desejo de aumentar os seus rendimentos futuros, através da aplicação da poupança.
Veja os artigos relacionados com a aplicação das poupanças, publicados neste blogue: Produtos Financeiros, Como Investir em Acções, Como Investir em Obrigações e O que são Fundos de Investimento?

Para percebermos a importância da poupança numa economia, é preciso entender o que é o investimento.
O investimento, também designado por formação de capital, é a aplicação da poupança em novos bens de produção, destinados a aumentar a capacidade produtiva da economia. Ou seja, para que um país se possa desenvolver, é necessário que as poupanças dos agentes económicos sejam canalizadas para o processo produtivo através do investimento.
Mas a poupança das empresas, normalmente designada por autofinanciamento ou financiamento interno, não é suficiente. A maioria das empresas recorre ao financiamento externo, quer indirectamente, junto das instituições de crédito, quer directamente, através da venda de títulos no mercado bolsista. De uma forma ou de outra, as empresas estão a utilizar as poupanças de outros agentes económicos para fazerem os seus investimentos. Daqui se poderá concluir sobre a importância da poupança para o desenvolvimento económico de um país. Um país que vive acima das suas possibilidades, gastando a maior parte dos rendimentos em bens de consumo, tem o seu futuro comprometido por falta de poupança e de investimento.
Contudo, nos últimos anos, o hábito de poupar tem vindo a perder importância face ao aumento das solicitações e facilitações de consumo, por um lado, e do hedonismo, do individualismo e da orientação para o curto prazo, por outro lado, juntamente com alguma desmoralização da juventude para assumir o planeamento da sua própria vida.
Assim, torna-se imperativo criar mecanismos de incentivo à poupança das famílias, sendo também fundamental uma mudança de mentalidades, no sentido de alterarmos os nossos hábitos consumistas.
A crise que estamos a atravessar será sem dúvida uma oportunidade para que todos possamos aprender alguma coisa com o endividamento excessivo, com o “vazio” e com outros alegados malefícios do consumo. Para que a poupança venha a ser um hábito contínuo, desejado e consolidado, será necessária uma estratégia sólida, consequente e duradoura, assente na educação e participada pelos agentes económicos e financeiros.